27.1.08

:: outra vez ::

como sempre pensando mais do que escrevendo, tentando equilibrar entre o ler e o assistir, voltei. enferrujada como era de se esperar, mas também, a vida não é filme você não entendeu.
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13.2.07

>não consigo.<
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2.11.06

:: kombi amarela ::

blog desatualizado, no meu caso, significa 3 coisas: falta de tempo, de assunto ou de saco. a primeira e a segunda são incompatíveis e a terceira pode coexistir com as duas primeiras. no momento a ausência foi de tempo. e um pouco de saco. apesar da vida ótima e do mundo novo e sem fim, o que me deu uma vontade enorme de escrever foi o maravilhoso pequena miss sunshine. saí do fime há uns 40 minutos e continuo com um sorriso de orelha a orelha. talvez um pouco menos, porque exagerei na pipoca e fiquei meio enjoada.

a pretensa miss sunshine é minha conhecida, fez uma participação especial sensacional na minha série favorita e só por isso já seria uma das minhas mini atrizes favoritas. e mini é um termo que cabe muito bem nesse filme. todos ali têm uma vida mini. o filho mais velho não se comunica com o mundo até sofrer a primeira grande desilusão, o pai é um obcecado pela auto-ajuda empresarial, o avô é um alucinado cheirador que foi expulso do asilo, o tio é um intelectual gay suicida e a mãe talvez seja a mais normal. e essa é outra palavra que, de forma sutil e genial, nos leva a uma consideração um pouco mais profunda. ser diferente é não ser normal?

dentro dessa vida escancaradamente insensata dessa família "anormal", o que acaba parecendo fazer todo o sentido é cruzar o país de kombi para que a pequena olive, de 7 anos, participe de um concurso de beleza. há uma overdose de cenas hilárias e ainda assim não há absolutamente nada que faça lembrar um pastelão barato. há a criancinha chorando com medo da rejeição do pai e isso não soou nem de longe um apelo desesperado para comover platéias. o pai tem a obcessão em ser um vencedor, mas sua família é repleta de losers. o filme é um prato cheio de contradições deliciosas e prova que só a inteligência e a sensibilidade são capazes de produzir as melhores metáforas.

fora a adorável olive, os melhores personagens, e onde se encontram as mais profundas contradições, são o filho, com todos os ingredientes que o tornam propositadamente um problemático, lê nietzche o dia inteiro e fez voto de silêncio, e o tio infeliz, que tentou o suicídio e compra revistas pornô gay, são responsáveis pela melhor cena do filme. eles são tratados como anormais, e assim se sentem, mas quando estão em um salão lotado de mini misses e suas famílias neuróticas, tudo o que pensam faz todo o sentido. e são compreendidos enfim, pela família e pela platéia.

a vida de uma cada é mini, mas a história que constróem juntos é grande. mega.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

pela livre associação tão praticada na análise, devo achar que um tem a ver com o outro.

"o respeito ao saber de senso comum jamais deve tornar alguém um basista , tampouco o acatamento à rigorosidade científica deve fazer de alguém um elitista" (paulo freire)
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29.9.06

:: papo de academia ::

da aluna para o personal:

- você vai votar em quem?

- na denise frossard.

- mas será que ela ganha do lula?

socorro.
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26.9.06

:: II ::

ver um filme no dvd é muito bom. só que às vezes a gente tem que pausar. aí fica aquela imagem congelada esperando pra seguir adiante. e a imagem parada quase sempre me faz pensar. quando a imagem congela sempre é possível reparar num detalhe que durante a ação não dá. é a luz do sol, a cor do sapato, a expressão de alguém ou uma troca de olhares. pois eis que me encontro assim, em pause. e louca pra apertar o play e ver o final do filme.
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19.9.06

:: choro e vela ::

'por que você martela tanto a própria cabeça?

porque é tão bom quando eu paro'.

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saudades do que eu ainda não vivi.
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12.9.06

:: 6 ::

só o futebol não consegue.

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6.9.06

:: i can´t breathe ::

se ele me acorda eu fico de mau humor, se eu deixo ele lá, talvez pior. deveria ser decreto, dois amantes não podem sair separados da cama. ou saem os dois ou não sai ninguém. penso nisso todos os dias, mas principalmente quando vou dormir às 3.

tenho lido textos interessantes que me inspiram, e agora mesmo fui ao banheiro jogar uma água na cara e tomar um café e pensei rapidamente em umas 4 ou 5 frases ótimas e mais uns 3 ou 4 bons assuntos, mas é incrível como essa cadeira acaba com a minha inspiração. assim como o cotidiano mata os príncipes encantados. ele pode ser bem descrito, e isso ameniza a dor do dia-a-dia. Pelo menos o dos outros. a vida pode não ser glamourosa, mas se descrita com talento e detalhes pode ser um pouco, e a ilusão pode acabar respingando na realidade.

hoje fazem 3 semanas daquele dia e espero uma resposta tão ansiosamente que me faz viver em contagem regressiva como não gosto, e não em progressiva como deveria ser.

tem coisas que a gente só descobre mesmo com o tempo, por mais que eu abomine essa frase. em meses dá pra descobrir coisas surpreendentes. aqueles utensílios de cozinha lindos e coloridos só são lindos e coloridos, porque ocupam espaço e não são nada práticos. a realidade é aquele pote enorme de margarina na geladeira. essa é a menos importante das descobertas, ainda que também seja difícil de admitir. e deus abençoe quem inventou a metáfora.

o abstrato e o concreto existem e coexistem, mas a preferência por um ou outro vai do humor do dia.

e agora acho que talvez isso tudo seja culpa do cabelo castanho que voltou. castanho não dá.
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5.9.06

:: you don´t get to call me a whore ::

a pessoa atinge um grau de nerdice acentuado e irreversível quando decora falas do seriado favorito e fica repetindo durante o dia.

não, não sou eu.
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1.9.06

:: eu quero ::

ser: boa amiga, boa mulher, ambientalista, mãe, apreciadora competente de música e arte, minimamente bronzeada, bem informada sobre política, ótima cozinheira, alguém que leu todos os livros do jared diamond, eternamente inspirada para escrever, amiga do jack black, freqüentadora assídua da casa da matriz de novo, apaixonada por ele sempre, alguém que não trabalha com calculadora e excel, assistente do gabeira, rodeada de pessoas interessantes, assinante da casa cláudia, conselheira sentimental das amigas e defensora dos animais.

ter: uma ong, bons amigos por perto, cabelo preto curto ou comprido, franja displicente, todynho e gatorade na geladeira, dinheiro no banco, óculos escuros coloridos e enormes, programas legais no fim de semana, disposição pra malhar, dvds de todas as séries de tv, uma máquina fotográfica profissional, esmaltes de todas as cores, tempo para assistir toda a 1ª temporada de grey´s anatomy de uma vez, massa para bolo de fubá no armário, festas aos sábados, menos medo de avião, camisetas com estampas divertidas, lenços, panos, xales e cachecóis, um tapete branco felpudo na sala, os livros do paulo freire, os brincos do colombiano de búzios, ingressos de graça para o tim festival, meu cachorro amado perto de mim e o espelho da minha avó na parede.
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'desconfie da casa onde não haja bons livros, bons quadros e bons discos.'
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28.8.06

:: hexa ::

pois é, ninguém fala muito, ninguém comenta, poucos comemoram. o 17o pódio dos 17 desde que o bernardinho chegou, 15a medalha de ouro. e esse foi em cima da frança, num jogo onde cabeçadas e salto alto não valem. o hexa da liga. o time de estrelas do vôlei, campeões olímpicos e mundias, com todos os jogadores morando na europa e que já ganhou absolutamente tudo o que podia, começou perdendo. ok, com eles não tem preocupação. eles não entregam jogo facilmente. eles não se entregam. eles recebem instruções incessantes de um técnico que está li o tempo todo, que sua mais do que eles e que não tem medo de mexer no time. porque ali não tem lugar garantido, ali jogam 12, sem cardeais. eles vibram como se aquele fosse o primeiro campeonato. eles comem a bola e ainda acham pouco. eles estão sempre motivados. eles nunca acham que já tá bom. e olha que eles não ganham milhões de euros, não são garotos-propagandas de grifes caras, não podem chegar meio quilo acima do peso na concentração, treinam dia e noite sem descanso, não tem quase atenção da mídia, não tem praticamente um repórter pra cada jogador, a final do seu hexacampeonato nem é transmitida pela maior emissora do país, as pessoas não vão pro clipper comemorar suas vitórias e nem são monitorados por 180 milhões de corações brasileiros. eles não são uma banda de rock.

lá, mesmo os prêmios individuais, como o do giba, que tem o nome gritado em qualquer ginásio do mundo, de melhor jogador da liga, depois do de melhor jogador das olimpíadas, são divididos. o brasil é o melhor time do mundo e os jogadores não fazem parte de nenhuma lista de melhores nas estatísticas. porque ali se joga pelo grupo, um é igual ao outro, ninguém é melhor do que ninguém, ali nome não ganha jogo. e o brasil é o melhor num mundo onde existem sérvios-montenegrinos, italianos, búlgaros, franceses, espanhóis e russos. não num mundo de ganenses, marfinenses, japoneses e togoleses.

as comparações são inevitáveis. eu ainda ouvi um ou outro gritinho pelo prédio, nos vizinhos e fiquei prestando atenção pra ver se eram mesmo por causa do jogo. mas ainda é tão pouco.

como disseram eles próprios, futebol é o c*****o!

**** O GLOBO LAVOU MINHA ALMA; MANCHETE DO CADERNO DE ESPORTES: 'ELES NÃO AJEITAM O MEIÃO'. ... eles não têm bolha no pé, eles não vão à boate, eles não ajeitam o meião. esse brasil não entrega o jogo. ****

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e como ontem foi dia de vitória de super-heróis:

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25.8.06

:: sex-ta feira ::

como tenho visto, lido, ouvido e principalmente pensado muito, agora só consigo escrever em tópicos. um texto inteiro sobre um mesmo assunto, não dá.

como hoje é sexta, é um bom motivo para escrever sobre coisas positivas. a primeira, é que hoje é sexta. a segunda é que tá sol, e mesmo que eu não possa aproveitá-lo, me deixa mais feliz. a terceira é que o eurico miranda teve a candidatura vetada pelo tre por falta de condições morais de exercer um mandato. a quarta é que terça eu vou ouvir o gabeira e vou perguntar o que ele sentiu quando esculachou o severino cavalcanti live para todo o brasil, a quinta é que provavelmente eu vou ao cinema amanhã, a sexta é que eu fui elogiada no trabalho, a sétima é que grey´s anatomy acabou e eu fiquei arrasada mas tenho os 2 últimos episódios gravados pra ver e chorar quando eu quiser, a oitava é que almoço com grandes amigos toda semana, a nona é que existe pastilha trident de menta, a décima é que eu consigo escrever no blog em pleno trabalho, a décima primeira é que jantei no barra brasa ontem e isso pra mim significa pastéis, batata frita, mussarela na chapa e uma boêmia bem gelada, a décima segunda é que eu vou fazer a unha amanhã e comprar uma cortininha fofa pra minha cozinha, a décima terceira é que eu vou dormir no ombro dele hoje como eu faço todos os dias, a décima quarta é que mesmo assim eu não canso disso, a décima quinta é que talvez eu coma pizza algum dia do fim-de-semana e a décima sexta é que em menos de 9 horas eu vou estar jogada na minha cama vendo cobras e lagartos ou algo tão estúpido quanto.

a primeira má notícia é que ainda faltam menos de 9 horas pra estar jogada na minha cama vendo cobras e lagartos ou algo tão estúpido quanto, a segunda é que o bndes liberou um financiamento de r$ 20 milhões para uma empresa do grupo lorenzeth condenada por escravidão de 450 funcionários e a terceira é que eu não vou poder ver o jogo de vôlei hoje à tarde.

o balanço é positivo portanto.
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17.8.06

:: 1946 ::

ontem foi um dia muito feliz. depois de meses de restauração, pintura e troca de estofado, finalmente a poltrona de 1946 que eu herdei da minha avó chegou na minha casa.
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15.8.06

:: 4 coisas ::

é bom demais tomar um sorvete de baunilha nesse calor indecente.

meu trabalho é tão esquisito que aqui trabalham criaturas como a elessendra e a labruna.

como não tá rolando verba para compras mais exorbitantes, estou comprando esmaltes compulsivamente.

o jack está no porão de um navio rumo à china nesse extao momento e eu só vou saber como ele vai sair de lá em março. damn it.
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8.8.06

:: super ::

outro dia a gente trabalhou à beça. e tinhamos uma festa à noite. aí ele disse que é muito bom ter um programa sexta à noite e simplesmente ficar em casa vendo filme. tem toda razão. e quando a gente sente vontade dança em casa mesmo.

por conta da minha atual convivência com pessoas muy estranhas, desenvolvi um novo hábito. agora eu falo sozinha.

o superman chora, vai pro hospital e até sangra um pouquinho. gosto de seres humanos que são super-heróis, não o contrário. já tô legal de gente, não preciso de um super-herói em crise. sou mais o marido da lois.
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4.8.06

:: 8 ::

o 8 é o símbolo do infinito. apropriado.
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2.8.06

:: mágicas, diversas ::

se eu colocasse o chapéu seletor do harry potter hoje ele quebraria como disco arranhado. "por que, por que, por que, por que?".

alguma coisa precisa estar no lugar certo. não precisam ser todas ao mesmo tempo, mas tem uma lista de coisas importantes que não podem sair do controle juntas. pelo menos uma tem que ficar. sorte minha que a mais importante delas está como sempre.

ando muito apaixonada pela marisa esses dias. de vez em quando eu preciso ouvir aquela voz e ver aqueles braços dançando, com aquela pele mais branca que a minha e aquele cabelo pretaço que brilha na iluminação sempre incrível dos shows. 5 anos foi muito tempo.

faltam só 2 horas pro jack bauer salvar o mundo de novo e eu já tô pensando o que vai ser das minhas segundas. ainda bem que ainda existe a quinta e o mcdream, mas o jack é o jack.

e ontem eu fiquei muito feliz porque consegui finalmente usar uma dica do oliver na minha cozinha. e ele riu da minha comida, mas é bom se acostumar porque agora vai ser assim. pelo menos, assim também.

e minha irmã está chegando e vai me trazer um creme de cabelo. é de supermercado, mas eu sou metida e gosto de cremes importados.

meu consultório sentimental está reaberto, a quem interessar possa.

quê mais? tá bom, né?
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25.7.06

:: vida que segue ::

poderia dizer que a vida está voltando ao normal, mas o que está acontecendo não é. pelo menos agora quando eu acordo já está dia, mas de resto, tudo continua surreal.

e parece que a fenda na montanha suíça diminuiu. o antibiótico tá acabando. hoje tem festival ambiental. tá sol. descubro coisas interessantíssimas sobre mim às vezes. algums empresas vão boicotar a soja amazônica. tenho amigos ótimos. e um marido incrível.

o mundo é bão.
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14.7.06

:: i wanna be amelie poulan ::

custei a concordar, e confesso que não gosto de admitir, mas o fato é que agora eu acho sim que a felicidade atrapalha a literatura.

e enquanto eu permaneço há 2 horas da minha vida, usando calculadora, coisa que detesto quando é necessária, tento traçar meu fabuloso destino, e agora pretendo fazer isso sozinha.

e de novo, tão rápido como entre a última palavra e a interrogação tão presente nesses dias, eis que ela veio de novo pra me derrubar. essa gripe é muito masoquista comigo.

é estranho ter que ser duas pessoas. mas dá pra ser. dá pra conversar sobre umas coisas absurdas e fazer com que elas pareçam naturais e ter uns papos surreais e não demonstrar espanto e não fazer caras e bocas. não é natural, mas dá pra disfarçar. e eu também descanso um pouco de mim, porque às vezes eu preciso. converso sobre mil coisas que eu nem sabia que existiam e conto coisas da minha vida que eu nunca achei interessantes, mas tem gente que acha. aí eu penso que talvez a vida possa ser sempre interessante, eu é que não olho direito.
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13.7.06

metáfora

da noite para o dia apareceu uma fenda numa montanha na suíça. ninguém ainda sabe como e não é possível chegar do outro lado. o fato é que ela está lá.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

'don´t let the sun
be the one
to change you, baby'
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17.6.06

:: ! ::

escrevi, escrevi e escrevi e apaguei tudo. acho que eu só tava querendo mesmo lembrar algumas coisas que andaram me incomodando nos últimos dias pra poder escrever sobre isso. mas a melhor parte é que, relembrando, quase nada mais me irritava. passou. só ficou o que é pertinente: o fato de que a vida na terra vai acabar e ninguém faz nada e de que a dônia sônia fez uma carinho na cabeça do ronaldo e virou notícia por uma semana.
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9.6.06

:: it´s the end of the world ::

só queria saber como é que pode 1 adulto americano consumir 370 quilos de papel por ano, um brasileiro 27 e um indiano 1. UM!

não pode, é óbvio, e isso me leva à segunda indignação. como é que pode o mundo estar assim e as pessoas não saberem disso? a água está acabando, 93% da mata atlântica foi riscada do mapa, daqui a 50 anos seremos o dobro do que somos hoje e os países em desenvolvimento ainda acham que o american way of life é uma meta a ser atingida. baby bush pensa que é isso mesmo, não tem pra todo mundo, mas eles chegaram antes. sorry. e mais grave do que tudo isso junto é as pessoas simplesmente não saberem disso. a elite intelectual sabe muito de tudo, mas só troca informação, não sabe repassar. somos todos e cada um de nós um poderoso instrumento de transformação e parte fundamental dessa revolução tardia. mas ninguém faz nada sem saber o motivo.

o maior problema ambiental hoje chama-se falta de comunicação.
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7.6.06

:: season finale :: (ou como diz a warner, semana do clímax (?)

esses roteiristas de séries andam muuuuito maus. tá foda.
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31.5.06

:: luto ::

ainda não tô acreditando que o tony almeida morreu.
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26.5.06

:: ... ::

hoje mesmo, no jantar, eu estava discutindo sobre como eu amo o nada. na verdade eu amo ler sobre o nada e adoraria ter muito talento para escrever muito bem sobre o nada. porque eu adoro ler um texto bom. eu posso discordar do início ao ponto final, das idéias e tudo mais, mas tenho um prazer enorme em ler um texto bem escrito. pois bem, posto isso, entrei na internet para dar uma olhada no nada e sempre acabo parando em sites e blogs de amigos ou não e fico realmente muito feliz de ler coisas legais. ler textos que eu adoraria ter escrito me enche de inspiração. simplesmente amo - em caps lock - ler alguém descrevendo como acordou, escovou os dentes e leu o jornal de manhã. e isso tem muito mais sentimentos e nuances envolvidos do que podemos imaginar. e quando alguém descreve o movimento das pessoas na rua e o passo do gato em cima do computador ou ainda a cor do céu no outono. nossa, amo. e o simples trajeto da cama para a cozinha de uma pessoa gripada num dia de chuva pode render um livro. o mundo fica tão mais legal assim.
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24.5.06

:: sp ::

eu não dormi na ida, comi pizza hut e batata sorriso, fui na etna pela milésima vez em seis meses, me irritei com o trânsito, chorei de tristeza, jantei na cantina que traz boas lembranças, bati papo na cozinha até de madrugada, acordei cedo, joguei chumbinho no mousse de brigadeiro, cortei o dedo no arranjo de mesa, arrumei a mesa de bem-casado, dei risada, briguei no salão, refiz minha maquiagem em casa, passei muito frio, entrei na igreja ao som de u2, chorei de emoção, a alça do meu vestido arrebentou, bebi, dancei, ri, machuquei o pé, fui dormir com o dia claro, vi de novo o meu dvd, fiquei feliz, o gabriel dormiu no meu colo, comi pizza de escarola, bati papo na cozinha de novo, acordei com o dia ainda escuro, trouxe maçã que o meu sogro me deu e dormi um pouquinho na volta.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

lú, já que você lê, deixa de ser boba e comenta! :)
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4.5.06

:: forever is gonna start tonight ::

* 5 meses e 1 dia depois...

a sexta-feira foi de muita chuva. quase frio. eu mesma tive que voltar do salão molhando os dedos do pé no chinelo. mas estava estranhamente calma. e desconfio um pouco de toda essa eficácia da maracugina. as pessoas começaram a chegar e o telefone não parou de tocar. e eu atendi a tudo e a todos. só não acompanhei as quase 30 pessoas que saíram para jantar. deixei um ovinho básico para santa clara na janela e fui tomar um banho de banheira com sais de pitanga e luz apagada, mas nem assim deixei de atender meu tio perdido em ipanema. antes disso fiquei sabendo que sim, aquele povo todo realmente estaria lá. a gente já sabia, mas receber a confirmação deu um primeiro gelo na barriga quando a sexta-feira já quase acabava. fiz uma omelete e bati papo na cozinha com a lú, animada com o vestido novo e a maquiagem e a escova que ganhou de presente da minha mãe. bati um papo rápido com quem voltava do jantar e fui deitar. li um desses meus livros de cabeceira propositalmente soníferos e devo ter dormido uns 15 ou 20 minutos depois. com a tv ligada, sempre.

dormi estranhamente bem e logo cedo o celular começou a receber mensagens. sempre pensei que optaria por não falar com ninguém, mas isso não fez sentido no dia. café da manhã leve, só uma caneca de leite com nescau. eu amo café da manhã, mas era querer demais que minha barriga aceitasse torradas com requeijão. aí chegou um buquê de margaridas de todas as cores da alê e o dia foi ficando mais real. gostei tanto disso que repeti o gesto no casamento da beta. roupa básica e confortável, mais mochilas, bolsas, vestidos, sandálias, cabides, nécessaire, óculos e meus florais, e fomos nós. penúltimo contato com um pai ainda sem noção do que lhe aconteceria algumas horas mais tarde. quarto de hotel com vista para o que mais me acalma, o mar. e nem a athina teve aquela vista, como disse a babi, que passou por lá com a alê. antes disso, tive uma meia hora de paz e silêncio com minha mãe, só com nossos pensamentos que quase produziam som. elas chegaram junto com o buquê, que foi entregue no quarto ao lado por engano e fez uma pessoa muito feliz por 10 minutos. as meninas foram, eli chegou e câmeras e luzes também. começou. gravei o depoimento, muito calma, e pedi nossas comidas. minha mãe começou a maquiagem, o elton passava nossos vestidos e eu fui mergulhar naquela banheira funda e difícil de sair. luz apagada, água quentinha e roupão e pantufa branquinhos, tudo o que eu gosto e poderia querer naquela hora. comi penne com molho de tomate e suco de laranja, e tomei água-de-coco e floral a tarde inteira. almoçamos os quatro enquanto conversávamos sobre o mundo gay e os namorados de ambos. meu pai ligou e disse que a tia elvira tinha vindo, com seus 94 anos, a disposição de encarar uma viagem de carro de são paulo até aqui e a missão de representar a pessoa que mais fez falta nesse dia. a garganta fechou. a minha vez chegou junto com o moreth, que logo começou a tirar aquelas fotos que fizeram eu me apaixonar por ele. ele disse que o trabalho do eli é teatral, eles logo ficaram melhores amigos e o clima de intimidade foi total. bom, eu estava ali de roupão, se bem me lembro sem calcinha, toalha na cabeça e o moreth fotografando meu pé e minhas unhas vermelhas. o clima familiar foi bem providencial. minha mãe ficou pronta e linda e foi-se, ainda a tempo de ver minha maquiagem quase pronta. da janela pude ver minha irmã e os italianos, todos arrumados, e a garganta fechou pela segunda vez. foi quando reparei no céu e descobri que santa clara gosta de mim.

fiquei sozinha com os dois, eli e elton, e percebi que era a mais calma dos três. melhor assim. meu pai chegou, ainda completamente sem noção do estado em que se encontraria pouco tempo depois. contrariando as minhas expectativas ele ficou o tempo todo no quarto e nem pensou em descer pra tomar um coco na praia. mas foi ficando nervoso à medida que via que o elton, prontamente transformado em ajudante de maquiador, derrubando os grampos e falando sem parar. cabelo pronto, hora de vestir a providencial e anti-sexy bermudinha segura barriga-levanta bunda, colocar o vestido e a grinalda e enfim o véu, a cereja do bolo. buquê retirado do frigobar e momento solene da entrega do anel da minha avó, e a primeira lágrima do dia finalmente caiu. antes de sair do quarto e pegar minhas várias quinquilharias e bolsinhas, olhei novamente pra me despedir do sol que se punha lá atrás e fiquei feliz por ele ter aparecido e demorado tanto pra ir embora. o terço especialmente feito pra mim, com nossa senhora das graças, quase foi embora no poço do elevador, já que tive a péssima idéia de deixá-lo a cargo das mãos trêmulas do elton. também havia pensando antes que faria uma passagem triunfal pelo saguão do hotel, com gringos e funcionários me acenando, fazendo sinais de positivo e desejando boa sorte, mas não sei dizer se havia uma ou quinhentas pessoas por ali. beijo rápido nos dois, últimas instruções para o eli e ali estávamos nós, eu e meu pai, vivendo o momento ‘carro’, o mais temido por mim durante todo o tempo. não sei se por sentar o vestido apertou ou se finalmente a ficha começou a cair, mas o fato é que eu não conseguia mais respirar. tampouco sentia minhas mãos, mesmo com o ar ligado no mínimo e a música adequada colocada pelo motorista. simpaticíssimo por sinal, e claramente acostumado a esse tipo de passageira. meu pai falou muito, mas pouco ‘papo de carro’, o que achei bom, mas agora penso que talvez a garganta dele também estivesse querendo fechar. logicamente havia trânsito em botafogo e aí minha bexiga encheu, como sempre acontece quando sei que não posso ir ao banheiro.

chegamos. pequena correria de quem ainda estava do lado de fora e pude ver os padrinhos, lindos e enfileirados, e no fim da fila, gabriel, lindo e com topete, de mãos dadas com a marcela, com o vestido igualzinho ao que desenhamos. aí percebi que não ia conseguir mais evitar o nó na garganta e muito menos as lágrimas. tomei bem mais que as habituais cinco gotas de rescue e abri de leve o vidro fumê do carro. pude ver as cores dos vestidos cuja compra/ confecção acompanhei de perto, e percebi que a hora havia chegado. e também vi meu ainda namorado, aparentemente calmo. tenho a impressão de ter sentido o coração tocando as cordas vocais.
consegui ouvir a música começando e tive a estranha lucidez de abrir a janela para checar se estava certa, se era a mesma que tínhamos escolhido. todo mundo pra dentro e nosso carro finalmente se aproximou da escadaria. não consegui sair do carro, muito menos me mexer. ângelo veio e disse que eu estava linda, e disse com uma cara tão amigável e sincera que eu acreditei, e nunca vou esquecer disso, gesto tão simples para ele e tão importante para mim. mesmo assim, o moreth veio e fez doin na minha testa e aquilo sacramentou a sensação de que estávamos todos realmente muito envolvidos. eu também tinha achado antes que aquela escadaria seria um grande obstáculo nesse momento e que eu subiria de mãos dadas com meu pai, provavelmente para ampará-lo. de novo minha previsão estava errada. subi num disparate alucinado sem olhar pra trás. e ele, calminho, calminho, me encontrou lá em cima, já na porta. me deu o buquê, ajeitei o vestido, ela ajeitou meu véu, arrumei o terço e me preparei para começar a chorar. aí olhei pro lado e a transformação aconteceu. diante daquela porta de vidro jateado, a metáfora perfeita que separava o meu sonho da minha realidade, ele desabou e um sorriso genuíno e paralisado apareceu no meu rosto. ainda olhei pra trás e fiz uma cara de ‘qualquer coisa você segura ele’ para o vinícius que, vim a saber depois, fora especialmente designado para essa função pela minha irmã. última olhada, última respirada funda e lá fomos nós.

(continua)
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1.5.06

:: o dia depois de amanhã ::

uma criança americana consome, em recursos naturais, o equivalente a 40 crianças indianas.

god bless america.
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25.4.06

:: 31 songs ::

ontem eu tive aula de música. pra ficar igual ao que eu imaginava há uns 2 anos só faltou o vinho. mas teve até exibição de documentário. e o professor é uma delícia.
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17.4.06

'a normalidade é a verdadeira revolução'

* frase do maravilhoso 'o último beijo', que agora vale mais do que nunca.
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